Com o avanço das mudanças climáticas e o aumento das temperaturas globais, um tema que vem ganhando destaque na área de Saúde e Segurança do Trabalho (SST) é o estresse térmico — um risco ocupacional que pode afetar diretamente a saúde, o desempenho e a segurança dos trabalhadores.
O que é estresse térmico?
Estresse térmico é a condição em que o corpo humano não consegue equilibrar a temperatura interna devido à exposição a ambientes com calor excessivo ou condições térmicas desfavoráveis. Isso pode acontecer tanto em ambientes externos (como obras, áreas industriais abertas, canteiros de obra etc.) quanto internos (galpões sem ventilação, indústrias metalúrgicas, cozinhas industriais).
Quando o organismo não dissipa calor adequadamente, o trabalhador começa a acumular calor corporal, o que pode levar a:
– Desidratação e câimbras pelo calor;
– Exaustão térmica;
– Golpe de calor (insolação), que pode ser fatal;
– Aumento de erros e acidentes por perda de concentração.
Por que isso é um tema urgente para sua empresa?
Estudos recentes da Organização Internacional do Trabalho (OIT) apontam que o número de trabalhadores expostos ao estresse térmico tem aumentado significativamente no mundo todo, inclusive em países com clima tropical como o Brasil.
No cenário empresarial, o calor excessivo não só impacta a saúde do trabalhador, mas também a produtividade e a segurança operacional:
– Colaboradores com calor excessivo ficam mais cansados e menos vigilantes;
– A probabilidade de acidentes aumenta por causa de tempo de reação mais lento e falta de foco;
– A legislação trabalhista e as Normas Regulamentadoras exigem que a empresa adote medidas preventivas e de controle de riscos ambientais.
Como identificar os riscos térmicos no seu ambiente de trabalho
Antes de aplicar medidas de controle, é preciso saber onde e como os riscos existem — e isso pode ser feito por:
Avaliação de risco térmico
Profissionais de SST podem medir o ambiente com instrumentos específicos (ex.: termômetros globais, sensores de umidade e ventilação) e calcular índices como o WBGT (índice que leva em conta calor, umidade e radiação).
Observação das condições de trabalho
Locais com radiação solar direta, máquinas que aquecem o ambiente interno ou falta de ventilação natural/mecânica são potenciais focos de risco térmico.
Acompanhamento clínico dos colaboradores
Indicadores como muita sede, fadiga excessiva, tontura ou desorientação são sinais claros de estresse térmico em curso e devem ser investigados e registrados pela SST.
Principais medidas de prevenção e controle
Uma vez identificado um risco térmico, a empresa deve agir com um conjunto de medidas técnicas, administrativas e comportamentais:
Medidas de engenharia
São ações que atuam diretamente no ambiente de trabalho, reduzindo a carga térmica:
-Melhoria da ventilação natural ou instalação de ventilação mecânica;
-Uso de exaustores e climatizadores industriais;
-Isolamento térmico de máquinas e superfícies quentes;
-Criação de áreas sombreadas em atividades a céu aberto;
-Adequação do layout para reduzir a exposição ao calor.
Essas medidas têm impacto direto e duradouro na redução do risco térmico.
Medidas administrativas
As medidas administrativas complementam as ações de engenharia e são fundamentais para controlar a exposição:
-Ajuste da jornada de trabalho para horários mais amenos;
-Implementação de pausas regulares em ambientes climatizados;
-Rodízio de atividades com alta carga térmica;
-Monitoramento constante dos trabalhadores mais expostos.
Dentro desse grupo, destaca-se um ponto crítico: a gestão da reposição hídrica.
Reposição hídrica: medida essencial de controle
A reposição hídrica adequada é uma das principais medidas de prevenção contra os efeitos do estresse térmico. A perda de líquidos pelo suor, quando não compensada, leva rapidamente à desidratação, mesmo antes do trabalhador perceber os primeiros sintomas.
Boas práticas de reposição hídrica incluem:
-Disponibilizar água potável, fresca e de fácil acesso em todos os postos de trabalho;
-Incentivar o consumo frequente de água, mesmo sem sensação de sede;
-Estabelecer orientações claras sobre a ingestão de líquidos ao longo da jornada;
-Avaliar, quando necessário, o uso de bebidas isotônicas para reposição de sais minerais em atividades de esforço intenso e longa duração;
-Garantir que as pausas para hidratação sejam respeitadas e integradas à rotina operacional.
Mais do que fornecer água, a empresa deve promover uma cultura de hidratação, com orientação contínua e fiscalização do cumprimento dessa medida.
Medidas individuais e treinamento
Além das ações ambientais e administrativas, é fundamental capacitar os trabalhadores para reconhecer os sinais de estresse térmico, como tontura, fadiga extrema, náusea e confusão mental.
O uso de vestimentas adequadas, leves e respiráveis também contribui para a dissipação do calor corporal.
Conclusão: clima quente não é só desconforto — é um risco de SST
O estresse térmico é um risco ocupacional que vem crescendo em relevância e impacto, especialmente em regiões tropicais como o Rio de Janeiro. Além de afetar a saúde e a segurança dos trabalhadores, ele pode trazer consequências sérias para a produtividade e para a conformidade legal da sua empresa.
Investir em avaliação de riscos, melhoria das condições ambientais e de trabalho, treinamento de equipes e reposição hídrica, não é apenas uma exigência legal — é uma forma inteligente de reduzir afastamentos, acidentes e despesas decorrentes de doenças ocupacionais.
Se quiser, podemos te ajudar a elaborar um plano de ação completo de prevenção ao estresse térmico, adaptado à realidade da sua empresa.
